terça-feira, 8 de dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

O BRASIL NA CONTRAMÃO

Estima-se que cerca de 2 milhões de brasileiros consumam regularmente algum tipo de anfetamina, uma substância proibida ou rigidamente controlada na maioria dos países. No Brasil, a venda é permitida mediante receita médica sujeita a retenção, mas na prática não há controle
• Desde 1998 o uso de anfetaminas cresceu 500% no país

• O consumo no Brasil (9,1 doses por 1 000 habitantes) é 15% superior ao dos Estados Unidos, o segundo colocado no ranking, e quase o dobro do da Argentina, país onde a obsessão por magreza é conhecida internacionalmente

• Mais de 90% dos usuários são mulheres

• A maioria não tem nenhuma indicação médica para o uso de remédios à base de anfetaminas como auxiliares na perda de peso

• Entre 20 e 30 toneladas de matéria-prima para a produção de anfetaminas são fabricadas ou entram no país a cada ano

• 66% dos usuários consomem a substância por mais de seis meses. É o dobro do tempo máximo tolerado pelos médicos



Fontes: Conselho Internacional de Controle de Narcóticos da ONU e Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Unifesp

http://veja.abril.com.br/080306/p_078.html

Anfetamina emagrece mas faz muito mal. Seu consumo cresce no Brasil

Depoimento de quem fez uso de anfetaminas:
"Quando tinha 14 anos, cismei que estava gorda. Uma tia conseguiu a receita de uma fórmula para emagrecer para mim. Fiquei impressionada com o resultado. Nas duas primeiras semanas emagreci 7 quilos, sem esforço. Mas, quando parei de tomar o remédio, engordei tudo de novo e entrei num círculo vicioso. Sabia que aquelas pílulas só me faziam ficar agitada, sem sono e irritada, mas não conseguia largá-las. Há seis meses, queria emagrecer rápido para uma festa e tomei mais um vidrinho. Não adiantou muita coisa e resolvi que seria a última vez. Sei que continuo acima do peso, mas não quero mais estragar a minha saúde. Estou me alimentando melhor, malho todos os dias e decidi que o uso de anfetaminas vai ser o tema da minha monografia."
MARIA RITA BOUHID, 22 anos, estudante de nutrição, 1,67 metro de altura, 80 quilos

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

CRISTAL É DROGA MAIS PERIGOSA QUE A COCAÍNA

Ice ou cristal é droga sintética, produzida por traficantes, desde os anos 80. Sua base é metaanfetamina, que altera sono, apetite e descontrola o usuário. Vem como pedras cristalinas ou em formato de comprimido infantil, branco como aspirina. É mais perigoso que a cocaína.

“O usuário de ice faz uso da droga por horas ininterruptas ou até mesmo dias, seguido por uma parada, onde sente extrema fadiga, exaustão, desorganização de idéias, hipersonolência, depressão e fissura”, define a médica Solange Napo, da Universidade Federal de São Paulo. “Problemas cardiovasculares são observados como taquicardia, aumento da pressão arterial, podendo causar acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio, com risco de morte. Pode causar também lesões nos olhos ou descolamento da retina e até cegueira. “ É uma metaanfetamina mais perigosa que a cocaína.

O uso prolognado causa a morte de células cerebrais, parada cardíaca, falta de apetite, insônia, paranóias e manifestações psicóticas. O ice ou cristal já é vendido por traficantes no Brasil.

Fonte: http://blogs.jovempan.uol.com.br/campanha/tag/ice/


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Jovens tem misturado estimulantes sexuais, ecstasy e remédios que compõe o coquetel de tratamento para portadores do vírus HIV.

Fichas sobre Drogas - ECSTASY

Apresentação

Chamada droga de recreio ou droga de desenho, o Ecstasy é uma droga de síntese pertencente à família das fenilaminas. As drogas de síntese são derivados anfetamínicos com uma composição química semelhante à da mescalina (alucinogéneo). Desta forma, o Ecsatsy tem acção alucinogénea, psicadélica e estimulante.

É, geralmente, consumido por via oral, embora possa também ser injectado ou inalado. Surge em forma de pastilhas, comprimidos, barras, cápsulas ou pó. Pode apresentar diversos aspectos, tamanhos e cores, de forma a tornar-se mais atractivo e comercial. Esta variabilidade abrange também a composição das próprias pastilhas, o que faz com que, muitas vezes, os consumidores não saibam exactamente o que estão a tomar.

Existem outras drogas de desenho entre as quais e podem referir o MDA ou o MDE e que apresentam nomes de rua como a pílula do amor, eva, etc.

O Ecstasy actua mediante o aumento da produção e diminuição da reabsorção da serotonina, ao nível do cérebro. A serotonina parece afectar a disposição, o apetite e o sistema que regula a temperatura corporal. Não se conhecem usos terapêuticos para esta substância, embora tenha sido experimentada, antes da sua ilegalização, em contextos de terapia de casal e psicoterapia pelos seus efeitos entactogénicos.


Origem


O MDMA foi descoberto antes das anfetaminas ou dos alucinogéneos. Em 1912, os laboratórios alemães Merck isolaram acidentalmente o MDMA (MetileneDioxoMetaAnfetamina) e em 1914 patentearam-no como inibidor do apetite, o qual não chegou a ser comercializado. Só nos anos 50 é que, com fins experimentais, foi utilizado pela polícia em interrogatórios e em psicoterapia.
Nos anos 60 e 70 conseguiu grande popularidade entre a cultura underground californiana e entre os frequentadores de discotecas, o que levou à sua proibição em 1985. Foi baptizado com o nome de Ecstasy (XTC) pelos vendedores como uma manobra de marketing.

Na Europa, nos finais dos aos 80, o seu consumo aumentou, como se pode verificar, por exemplo, pelo número de pastilhas apreendidas pelas autoridades espanholas: 4.325 em 1989 e 645.000 em 1995. Este alargamento na Europa está também associado à queda do muro de Berlim e ao descontrolo político de alguns dos países do Leste europeu, onde a indústria farmacêutica está fortemente implantada. O Ecstasy foi inicialmente consumido em Ibiza e nos países do mediterrâneo, no contexto da noite e da música electrónica. O consumo espalhou-se, mais tarde, até à Inglaterra e Holanda, onde surge a nova cultura da rave entre os jovens.


Efeitos


Os primeiros efeitos surgem após 20-70 minutos, alcançando a fase de estabilidade em 2 horas. Diz-se que o MDMA pode combinar os efeitos da cannabis (aumento da sensibilidade sensorial e auditiva), os das anfetaminas (excitação e agitação) e ainda com os do álcool (desinibição e sociabilidade). Para além disso, pode oferecer uma forte sensação de amor ao próximo, de vontade de contacto físico e sexual.

O Ecstasy pode provocar uma sensação de intimidade e de proximidade com outras pessoas, aumento da percepção de sensualidade, aumento da capacidade comunicativa, loquacidade, euforia, despreocupação, autoconfiança, expansão da perspectiva mental, incremento da consciência das emoções, diminuição da agressividade ou perda da noção de espaço.
A nível físico pode ocorrer trismo (contracção dos músculos da mandíbula), taquicardia, aumento da pressão sanguínea, secura da boca, diminuição do apetite, dilatação das pupilas, dificuldade em caminhar, reflexos exaltados, vontade de urinar, tremores, transpiração, cãibras ou dores musculares.

Os efeitos desaparecem 4 a 6 horas após o consumo. Podem ocorrer algumas consequências residuais nas 40 horas posteriores ao consumo.


Riscos


A longo prazo, o ecstasy pode provocar cansaço, esgotamento, sonolência, deterioração da personalidade, depressão, ansiedade, ataques de pânico, má disposição, letargia, psicose, dificuldade de concentração, irritação ou insónia. Estas consequências podem ainda ser acompanhadas de arritmias, morte súbita por colapso cardiovascular, acidente cérebro-vascular, hipertermia, hepatotoxicidade ou insuficiência renal aguda.

O consumo de ecstasy e a actividade física intensa (várias horas a dançar) pode provocar desidratação e o aumento da temperatura corporal (pode chegar a 42º C), o que por sua vez pode levar hemorragia interna. A desidratação e a hipertimia têm sido causa de várias mortes em raves. A hipertimia pode ser reconhecida pelos seguintes sinais: parar de transpirar, desorientação, vertigens, dores de cabeça, fadiga, cãibras ou desmaio. Como forma de precaução, aconselha-se a ingestão de água. No entanto, a ingestão excessiva de água pode também ser perigosa (a intoxicação de água pode ser fatal).

É de referir que esta droga é frequentemente falsificada e substâncias como as anfetaminas, a ketamina, o PCP, a cafeína ou medicamentos são vendidos com o nome de ecstasy.

Tolerância e Dependência

O desenvolvimento de tolerância pode ser favorecido pelo uso contínuo do ecstasy. A dependência psicológica pode verificar-se mas não existem dados conclusivos relativamente à dependência física.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Vídeo sobre Anfetaminas





O vídeo está em espanhol mas tem como entender.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O cristal devastador

A droga que mais preocupa as autoridades americanas começa a aparecer em raves no Brasil


Uma pedra cristalina, aparentemente inofensiva, tornou-se o pesadelo da sociedade americana. A droga, conhecida como crystal meth ou ice - entre outros nomes -, tem o nome técnico de metanfetamina, é destrutiva e pode ser usada das mais variadas formas: ingerida em cápsula, derretida para ser injetada, cheirada como a cocaína e fumada como o crack.

Com o tempo, a sensação de euforia e o aumento do desejo sexual, produzidos pelas altas doses de dopamina liberadas no cérebro, dão lugar a pânico, alucinações, agressividade, convulsões, falta de apetite, risco de derrame, colapso cardiovascular, corrosão de dentes e gengivas. A droga não custa a levar à morte - e está sendo considerada uma epidemia sem precedentes.

Esse quadro assustador dá seus primeiros passos também no Brasil. Desde o começo do ano, o Departamento de Investigações sobre Narcóticos vem fazendo apreensões da droga em raves e faculdades de São Paulo. No dia 20 de agosto, a Operação Dancing, de combate ao tráfico de drogas sintéticas, prendeu 20 jovens numa rave em Indaiatuba, no interior do Estado, com ecstasy, LSD, maconha e a preocupante novidade. Ainda não há pistas de como o tóxico entra no país porque a polícia não conseguiu chegar aos traficantes. Assim como o ecstasy, por aqui a crystal meth custa caro e está restrita à classe média alta. Nos Estados Unidos, antes de entrar na moda, foi durante muito tempo a droga típica do meio rural, produzida em laboratórios de fundo de quintal a partir de ingredientes tirados de remédios comuns.

O Grupo de Estudos de Álcool e Drogas do Hospital das Clínicas de São Paulo também registra a presença da crystal meth. O diretor da instituição, o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, já identificou o uso do entorpecente entre jovens pacientes. "Quem experimentou utiliza outros tipos de droga. A descrição é de um ecstasy turbinado", diz. O médico considera preocupante o surgimento da moda. "Por ser sintética e misturada com substâncias cuja reação no corpo é desconhecida, pode se tornar um sério problema de saúde pública", destaca.

A pseudoefedrina - usada para produzir metanfetamina, um derivado sintético mais potente da anfetamina - é o estimulante que dá base à droga. É relativamente fácil de produzir, mas perigoso. São comuns explosões nos laboratórios clandestinos que proliferaram no interior dos EUA.

Mais de 12 milhões de americanos já experimentaram metanfetaminas e 1,5 milhão são usuários regulares, de acordo com estimativas governamentais. Ao que parece, nenhum dos Estados escapou da crystal meth. O Missouri está no topo da lista, com mais de 8 mil laboratórios clandestinos. Pesquisa da National Association of Counties feita com autoridades de 45 dos 50 Estados americanos mostrou que, para 58% deles, a crystal meth é, atualmente, a droga mais preocupante. Depois vêm a cocaína, com 19%, a maconha, com 17%, e a heroína, com 3%.

A metanfetamina não é uma droga nova. Como a maconha e a heroína, porém, tornou-se mais poderosa graças à tecnologia. Na década de 50, era prescrita para dietas e casos de depressão. Foi proibida nos anos 70, mas continuou a ser fabricada clandestinamente no interior dos EUA. Na década passada, o tráfico organizado mexicano começou a produzir meth. Hoje, metade da droga consumida é feita no México.

Nos Estados Unidos, a meth é tratada como uma epidemia sem precedentes.



Fonte: Revista Época 02/09/2005 - 16:21 Edição nº 381

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Anfetaminas e Ecstasy

As anfetaminas e o ecstasy atuam sobre o sistema de recompensa induzindo a liberação maciça de dopamina na fenda, em uma quantidade muito maior do que a observada em estímulos naturais. Ela também inibe a recaptação, mas numa intensidade muito menor, se comparada à cocaína. De qualquer forma, o resultado final é um excesso de dopamina, que será removida com mais dificuldade, deixando-a agir mais tempo sobre os receptores e produzindo efeitos de euforia mais intensos.

FIGURA 4: Uma das diferenças entre o ecstasy e as outras anfetaminas modificadas é sua afinidade pelo sistema serotoninérgico, cuja ação lhe confere suas propriedades alucinógenas. O sistema serotoninérgico está amplamente conectado em todo o sistema nervoso. Os neurônios responsáveis pela produção de serotonina encontram-se agrupados no núcleo da rafe. O ecstasy bloqueia a recaptação da serotonina e a mantém atuando sobre os receptores por mais tempo e de forma intensificada.


O ecstasy, além de atuar diretamente sobre o sistema de recompensa, tem especial afinidade pelo sistema serotoninérgico, de provêm seus efeitos alucinógenos e sinestésicos ("sons têm cores e cores têm sons"). O sistema serotoninérgico, quando estimulado, também atua positivamente sobre o sistema de recompensa, aumentando ainda mais o efeito euforizante produzido por este.

Fonte: Albert Einstein Sociedade Beneficiente Israelita Brasileira: Neurobiologia da dependência química.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Brasil é 3º maior consumidor de inibidores à base de anfetamina

Abuso desses medicamentos e outras drogas sintéticas é preocupante, diz relatório da ONU

- O Brasil é terceiro maior consumidor de reméinibidores de apetite produzidos à base de anfetamina no mundo, segundo um relatório publicado nesta terça-feira pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC).

De acordo com a UNODC, entre os biênios de 2000-02 e 2004-06, o consumo deste tipo de estimulantes do grupo anfetamínico (ATS) produzidos legalmente aumentou em 57% nas Américas – de 7 para 11 doses diárias por mil habitantes.

Segundo o relatório, o consumo desses estimulantes foi maior do que a média em países da América do Sul, Central e do Caribe. De acordo com o documento, isso seria resultado da disponibilidade e abuso desses produtos por fontes lícitas.

No Brasil, por exemplo, a anfetamina é a principal substância de diversos remédios para perda de peso e estimulantes, entre eles os conhecidos Anfetramona e Fenproporex, produzidos licitamente e vendidos até pela internet.

“Esse aumento representa um padrão preocupante que indica abuso no número de receitas, o que no passado já foi associado a um risco maior de abuso dos ATS”, diz o documento.

Segundo o documento, o consumo dos estimulantes à base de anfetaminas foi de dez doses diárias por mil habitantes em 2004-06.

Na Argentina – país que ocupa o primeiro lugar neste ranking, seguido pelos Estados Unidos - o consumo foi de 17 doses diárias por mil habitantes.

Drogas sintéticas
O relatório alerta que o consumo de drogas sintéticas como o ecstasy, anfetaminas e metanfetamina, apesar de estáveis na maioria dos países desenvolvidos, aumentou nos países em desenvolvimento, especialmente no leste e sudeste asiáticos e no Oriente Médio.

De acordo com o documento, o consumo permaneceu estável ou apresentou redução em países da América do Norte, Europa e Oceania, mas o problema se espalhou para novos mercados.

A Ásia é responsável por uma grande demanda. Em 2006, cerca da metade dos países asiáticos registraram aumento no consumo de metanfetaminas. No mesmo ano, a Arábia Saudita apreendeu mais de 12 toneladas de anfetamina – o que representa 25% de todos os ATS apreendidos no mundo. Em 2007, esse número subiu para 14 toneladas.

Esses dados refletiram no consumo global anual das drogas sintéticas, que superou o da cocaína e da heroína. Segundo as estimativas da UNODC, o mercado global dos estimulantes sintéticos movimentou cerca de US$ 65 bilhões (R$112 bi).

Ao apresentar os dados em Bangcoc, o diretor da UNODC, Antonio Maria Costa, alertou para o perigo de considerar as drogas sintéticas como “inofensivas” e comentou a transformação no modo de produção desses estimulantes.

“Há uma década, as drogas sintéticas eram uma indústria pequena. Agora, é um grande negócio, controlado por grupos criminosos organizados e que envolve todas as fases do comércio ilícito – do contrabando de substâncias químicas à produção e ao tráfico”, disse Costa.

Prevenção
A divulgação do relatório foi acompanhada pelo lançamento de um novo programa da UNODC para tentar difundir informações sobre os estimulantes do grupo anfetamínico.

Chamado de Monitoramento Sintético Global: Análise, Relatos, Tendências (Smart, na sigla em inglês), o programa será direcionado aos governos – principalmente em países mais vulneráveis – para melhorar a capacidade de coletar, analisar e trocar informações sobre esses estimulantes, seu consumo e rotas de tráfico.

Segundo a UNODC, essas informações poderão ajudar os países a desenvolver programas de prevenção mais eficientes e melhorar o combate à produção dessas drogas.



Fonte: Estadao.com.br - Vida e Saúde.
http:////www.estadao.com.br/geral/not_ger238262,0.htm

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vídeo sobre ECSTASY

Segue o link do vídeo pois, não conseguimos reproduzi-lo para o nosso blog.
O vídeo fala sobre mais uma reportagem da série Drogas - a onda química, o doutor Jairo Bouer fala sobre os efeitos das drogas sintéticas, como o ecstasy.
Este vídeo foi ao ar no programa Fantástico dia 20/02/2005.
É muito interessante espero que gostem.

Link: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM265753-7823-AS+NOVAS+DROGAS+QUE+SAEM+DOS+LABORATORIOS+PARA+AS+PISTAS+DE+DANCA,00.html

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Chega ao Brasil o ice, uma versão turbinada de anfetamina usada pelos internautas

Há uma nova droga na praça. Depois do ecstasy, chegou a vez do ice (gelo, em inglês). É o aditivo dos internautas adolescentes e aficionados por videogame — aquela turma capaz de passar horas e horas de olhos vidrados na tela do computador, surfando ou lutando contra exércitos de alienígenas na rede. Vendido sob a forma de pedras de cristais transparentes, o ice pode ser dissolvido em bebidas, fumado e até mesmo injetado na veia. Vinte minutos e... o coração dispara. A pressão arterial sobe. As pupilas dilatam. O cérebro é inundado por substâncias relacionadas à sensação de bem-estar. Tem-se a impressão de que o corpo é um poço de energia. O raciocínio parece mais rápido. Os reflexos motores, mais aguçados. A luz vinda do monitor incrementa a dança cerebral. Cansaço, o usuário não sente nenhum. Nem depois de doze horas ininterruptas na frente da máquina.

Como tudo relacionado ao consumo desse tipo de substância, a viagem proporcionada pela “droga virtual” é uma aventura perigosa. Pode levar a convulsões e até à morte por parada cardíaca. As autoridades mal a conhecem. No último verão, tirou o sono da polícia européia. Agora, chegou ao Brasil. Alguns médicos, especialistas na recuperação de dependentes químicos, já ouviram relatos de pacientes que experimentaram as pedras. Uma equipe de investigadores paulistas está infiltrada nos pontos mais prováveis de circulação de ice — as lojas de videogame e os salões de fliperama.

Sob encomenda — As pedras transparentes não preocupam apenas por significar a entrada no país de mais um entorpecente. Elas revelam também a que ponto chegaram a ousadia e a sofisticação dos narcotraficantes. Eles se especializam, cada vez mais, em fornecer drogas sob encomenda, para atender a determinados segmentos do mercado consumidor. Assim como o ecstasy se destinava aos freqüentadores de casas noturnas, o ice visa a um público bem definido, os internautas e jogadores de videogame. É diferente do que ocorre, por exemplo, com a maconha ou a cocaína, drogas que, embora no passado tenham sido associadas a tribos específicas (como a dos hippies e a dos yuppies), hoje são consumidas por diferentes grupos da população. “Essa é a nova estratégia dos traficantes”, diz Walter Maierovitch, ex-secretário nacional antidrogas e presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone, centro de estudos sobre o crime organizado internacional. “Eles querem condicionar o consumo de entorpecentes a determinadas atividades.”

O ice é uma versão mais potente das antigas anfetaminas, classe de drogas estimulantes do sistema nervoso central. Utilizadas desde a década de 30 para o tratamento da narcolepsia (distúrbio caracterizado pelo excesso de sono), da hiperatividade infantil e da obesidade, as anfetaminas chegaram ao mercado clandestino nos anos 60. No exterior, ganharam o nome de speed. No Brasil, bolinha ou rebite. Agora reaparecem mais concentradas — por isso têm a forma de cristais. “O ice é uma espécie de crack sintético e pode ser tão devastador quanto ele”, alerta o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo. O crack é uma versão barata da pasta de cocaína, vendida para as camadas mais pobres da população. Produzido na China, na Tailândia e nas Filipinas, o ice chega à Europa ocidental depois de atravessar a Rússia. No Brasil, entra via Paraguai. O preço baixo, cerca de 2 reais a pedrinha, é outra fonte de grande preocupação. As autoridades brasileiras temem que daqui a pouco (e com bastante facilidade) a substância deixe de ser droga restrita aos internautas de classe média e ganhe as ruas.



Autores: Cristina Poles e Ricardo Galhardo
Fonte: revista veja/2001

Anfetaminas

As anfetaminas foram sintetizadas na década de 30. O propósito era o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, então denominado hiperatividade ou disfunção cerebral mínima. Atualmente, existem indicações para o tratamento da transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, da narcolepsia e da obesidade com restrições. Nos últimos 20 anos, anfetaminas modificadas têm sido sintetizadas em laboratórios clandestinos para serem utilizadas com fins não-médicos (Quadro 1). A mais conhecida e utilizada no Brasil é a 3,4-metilenedioxi-metanfetamina (MDMA), o ecstasy, uma metanfetamina inicialmente identificada com os clubbers e suas festas, conhecidas por raves.




O consumo no Brasil é pouco conhecido. Um estudo com adultos de uma cidade brasileira mostrou uma prevalência de 1,3%, sendo que 80% destes usuários possuía prescrição médica para consumir esta substância. Entre estudantes, o uso das anfetaminas é eminentemente feminino, provavelmente com o intuito de perder peso. Desse modo, nota-se a existência de
diferentes tipos de usuários, cujo consumo de anfetamina tem propósitos diversos.

As anfetaminas são estimulantes do SNC, capazes de gerar quadros de euforia, provocar a vigília, atuar como anorexígenos e aumentar a atividade autonômica dos indivíduos. Algumas são capazes de atuar no sistema serotoninérgico, aumentando a liberação do neurotransmissor na sinapse ou atuando como agonista direto. Essa propriedade parece ser a responsável pelos efeitos alucinógenos de algumas anfetaminas: o ecstasy (MDMA) e similares têm grande afinidade pelos receptores serotoninérgicos 5HT e 5HT2.


EFEITOS AGUDOS DO CONSUMO DE ANFETAMINAS
  • EFEITOS PSÍQUICOS
    * Euforia e bem-estar
    * Aceleração do pensamento e curso da idéias, produzindo a sensação de um pensamento livre e objetivo, capaz de discorrer qualquer assunto.
    * Redução da fadiga e da fome.
    * Irritabilidade e impulsividade.
    * Sintomas depressivos ao encerramento do uso.
    * Ansiedade, sensação de pânico e perda do controle

  • EFEITOS FÍSICOS
    * Aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial
    * Elevação da temperatura corpórea
    * Aumento do ritmo intestinal
    * Tremores
    * Aumento do tônus muscular
    * Dilatação da pupila
    * Sudorese

  • COMPLICAÇÕES
    * Sintomas psicóticos agudos
    * Overdose

Fontes:
PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTOS - UNIAD - ABEAD

Projeto Diretrizes: Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina